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Tuesday, July 23, 2024

Crianças vêm queimadas e com osso quebrado, diz diretor de hospital em Gaza

Casas e predios destrúidos por bombardeios israelenses em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza

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A maioria das crianças sobreviventes vem com queimaduras, cortes na cabeça e ossos quebrados nas extremidades. Tudo junto em um mesmo paciente. Com as bombas, as paredes desabam sobre bebês e os outros civis que estão amontoados.”

De acordo com o Ahmad Muhanna, que dirige o hospital Al Awda, em Jabalia, um dos refúgios para palestinos feridos pelos bombardeios no Norte da Faixa de Gaza, a maioria dos casos graves é de crianças (ironicamente, a instituição também é uma maternidade, que continua realizando partos) e mulheres civis.

Como esses grupos vêm com ferimentos em todo o corpo, precisam de cirurgias e um longo de tempo de internação. Tempo que está ficando curto pela falta de combustível.

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Ao conversar com esta coluna, na tarde desta terça (24), ele apelou à comunidade internacional para garantir o fornecimento de combustível para abastecer os geradores do seu hospital. Os caminhões com ajuda humanitária que autorizados de entrar pela fronteira com o Egito estão proibidos por Israel de levar o produto.

“Tenho dois geradores enormes que trabalham alternadamente, cada um 12 horas. Quando a eletricidade foi cortada, há 17 dias, na Faixa de Gaza, eu tinha 12 mil litros no depósito estratégico de combustível para os geradores. Hoje, tenho apenas 3 mil. Então, o que sobrou é suficiente para no máximo 3 ou 4 dias. Depois disso, vamos entrar em colapso e parar as atividades no hospital”, avisa.

“Apelei hoje à OMS [Organização Mundial de Saúde] para garantir o fornecimento de combustível e liguei para o Ministério da Saúde [de Gaza] para nos ajudar. Mas ninguém pode me fornecer combustível. No geral, ninguém tem para fornecer em Gaza. Está vazio em todos os lugares.”

As Nações Unidas solicitaram que combustíveis fossem autorizados a entrar em Gaza. Em resposta, o Exército de Israel postou, no X/Twitter, para que isso fosse solicitado ao Hamas, responsável pelo ataque terrorista que deixou mais de 1400 mortos em seu território.

Em Gaza, o saldo atual é de 5,8 mil mortos desde o início dos bombardeios e do cerco de Israel, segundo o serviço local de saúde, dos quais, 2,36 mil são crianças.

Leia a entrevista:Continua após a publicidade

Vocês vão evacuar o hospital por causa dos bombardeios?

Estamos aqui e continuaremos no hospital mesmo com ordem do Exército israelense para deixá-lo. Nós estamos aqui e vamos continuar aqui. Vamos continuar com nossos pacientes para fornecer todos os tipos de serviços porque todos os hospitais na Faixa de Gaza estão cheios.

O número de feridos está enorme e a capacidade dos hospitais, limitada. É incompatível. Mesmo que eu concordasse em transferir os pacientes do meu hospital para outros, seria impossível porque todos os estão lotados, superlotados, sem lugar, sem leitos vazios.

Quantas pessoas vocês conseguem atender?

Tenho 60 leitos no meu hospital e aumentei os leitos para 80. Na última semana, coloquei mais 10 em frente ao hospital para triagem. O problema, o problema de todos os dias, é que cada vez chegam mais e mais feridos. Feridos se acumulam nos hospitais.

E a maioria dos casos graves são crianças e mulheres civis. Eles vêm gravemente feridos, com muitos ferimentos em todo o corpo. Então, eles têm que ficar no hospital por um longo período de tempo e precisam de intervenções.

Como chegam as crianças?

A maioria das crianças sobreviventes vem com queimaduras, cortes na cabeça e ossos quebrados nas extremidades. Tudo junto em um mesmo paciente. Porque, com as bombas, as paredes desabam sobre bebês e sobre os outros civis que estão amontoados. As casas onde as famílias estão se abrigando encontram-se lotadas, superlotadas, 20 e 30 pessoas juntas. Daí, de 30% a 50% das pessoas morrem e as outras ficam gravemente feridas.Continua após a publicidade

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Vocês ainda têm combustível suficiente para gerar eletricidade?

Por enquanto, sim. Mas esta é a minha grande dor de cabeça agora, realmente um problema enorme. Tenho dois geradores enormes, 400 KVA cada um, que trabalham alternadamente, cada um 12 horas. Quando a eletricidade foi cortada há 17 dias na Faixa de Gaza, eu tinha 12 mil litros no depósito estratégico de combustível para os geradores. Hoje, tenho apenas 3 mil. Então, o que sobrou é suficiente para no máximo 3 ou 4 dias. Depois disso, vamos entrar em colapso e parar as atividades no hospital.

Você pediu ajuda para conseguir combustível?

Apelei hoje à OMS [Organização Mundial de Saúde] para garantir o fornecimento de combustível e liguei para o Ministério da Saúde para nos ajudar. Mas ninguém pode me fornecer combustível. No geral, ninguém tem para fornecer em Gaza. Está vazio em todos os lugares.

As informações que temos é que os caminhões não podem cruzar a fronteira com o Egito em Rafah transportando combustível porque o Exército de Israel teme que ele chegue ao Hamas.

Sim, exatamente, você está certo. No posto de controle de Abu Salem, os israelenses estão verificando isso nos caminhões antes de permitir a passagem para Rafah, em Gaza.

O que acontece quando o combustível acabar?

Na verdade, não sei. Estamos pensando ainda… Vamos tentar encontrar algum painel de energia solar apenas para a sala de operações e para o pronto-socorro. E para os outros departamentos, luzes com baterias ou algo assim. Não sei. Estamos em um beco sem saída. Mesmo nos mercados locais, nada. Tudo está vazio. Em Gaza, está tudo vazio, tudo.Continua após a publicidade

Peço à minha equipe que desligue o gerador duas horas a cada oito horas ou meia hora a cada oito horas para economizar combustível. No limite, vou ter que transferir os pacientes para o hospital governamental.

O hospital Al Awda de Jabalia era a maternidade do Norte de Gaza. Vocês continuam atendendo esses serviços?

Continuamos prestando serviços de maternidade e partos das mulheres no Norte de Gaza. Elas estão vindo de ambulância. Ligam para cá e vamos buscar imediatamente para o hospital se acontecer alguma coisa.

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